
“Depois foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto” Êxodo 5.1.
“Porque sois povo santo ao Senhor vosso Deus, e o Senhor vos escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe serdes seu povo próprio” Deut. 14.2.
Às vezes ouço através de pessoas cristãs, ou leio em páginas da internet, jornais e revistas, que a população evangélica no Brasil e até no mundo tem crescido “assustadoramente” e que há outras “religiões” preocupadas em perder o seus fiéis para o cristianismo, ou melhor o medo de se tornarem “crentes”. Penso ser muito bom o crescimento de cristãos por toda a face da terra e termos igrejas cheias, mas fico a imaginar onde está a qualidade do povo que Deus tem levantado, será que é só multidão, ou seja, quantidade sem qualidade nenhuma. Isto é o que me preocupa. Pessoas virem a se tornar cristãs por Cristo ou por que é moda. Ser crente hoje em dia tem se tornado “status”em muitos lugares do Brasil e fora também. O cristão tem ao seu dispor toda uma “parafernalha”de acessórios para sustentar a sua condição de “crente”.
Quando penso nisso tudo fico a me lembrar do povo de Israel, escravo no Egito. Deus levantou Moisés e Arão para irem diante do Faraó e pedir que liberasse o povo, pois o Senhor os queria como povo Seu para adora-lo. Este povo era muito numeroso como o são os evangélicos nos dias de hoje. Claro que existia no meio deles gente extremamente comprometida com Deus, mas a maioria era superficial em seus sentimentos para com Deus. Isto me lembra do que a palavra diz: “…muitos são chamados, mas poucos escolhidos” Mateus 20.16. Entendam que não estou generalizando, mas Deus requer um povo santo, separado, determinado a servi-lo e busca-lo acima de qualquer coisa.
Vejo nas igrejas de maneira geral, comportamentos do povo que “se diz ser de Deus”, parecido com as atitudes do povo de Israel quando saiu do Egito, e gostaria de compartilhar com você algumas destas atitudes que devemos atentar para não cairmos no mesmo erro.
A primeira que observo é a murmuração do povo (Êxodo 14.11-12; 15.24; 16.2; 17.3), reclamando das condições as quais Deus os submetia, e a pergunta que não saia de suas bocas era “Porque Deus nos tirou do Egito? Lá embora fossemos escravos tinhamos de tudo ao nosso dispor!!” Enfim, os textos citados são só alguns dentre tantos, aonde o povo murmura contra Moisés e Arão, sem perceber que esta murmuração atingia direto o coração de Deus.
Percebo hoje, que vivemos dias parecidos em nossas igrejas, pessoas que são presas ao passado, ficam se lamentando de tudo, questionam as decisões e atitudes de seus pastores ou líderes, aceitam tudo na frente, mas por trás só reclamam. “Ah! No tempo do pastor fulano de tal, tudo era diferente”; “Se o beltrano estivesse a frente nada disso teria acontecido”. Bem, tudo isto ao meu ver entristece o coração do Pai.
Amados, no amor, em João 6.43 Jesus diz: “Não murmureis entre vós”. Neste trecho de João, os judeus murmuravam contra Jesus, duvidando de suas palavras e sua autoridade, hoje em dia se não nos cuidarmos podemos fazer isto com os servos instituídos por Deus nas igrejas.
A segunda atitude que observo no povo de Israel é que viviam presenciando sinais e prodígios de Deus em suas vidas diariamente, mas quando se passavam os dias voltavam a sua incredulidade novamente, é como se nada tivesse acontecido. O que buscavam nos sinais e prodígios de Deus é sua própria satisfação, seu conforto. Nos mesmos textos acima de Êxodo viveram sinais de Deus sobrenaturais. O que me intriga é que viram tudo com seus próprios olhos e ainda assim não amavam a Deus, quebraram sua aliança com Ele. Nas igrejas hoje não é diferente, outro dia estava num culto tremendo, onde a presença de Deus estava sobre nós de forma indescritível, pessoas chorando, prostradas, envolvidas pela presença do Pai, realmente algo marcante. Passados alguns dias percebi que o povo parece que não sabia nem o que tinha acontecido, tamanha era sua expressão de apatia. Claro que não estou generalizando, mas infelizmente a maioria estava com esta expressão. Muitos poucos estavam com o semblante de “quero mais Deus, eu te amo Pai”. Tudo isso muito semelhante ao povo que estava no deserto. Possuiam um coração dura cerviz.
Precisamos viver de forma mais intensa a presença de Deus em nossas vidas, amá-lo cada vez mais, não importando se vamos ganhar alguma coisa ou não, mas busca-lo sempre custe o que custar.
A terceira e última característica que vejo no povo de Israel, é que a sua murmuração, indiferença, desobediência e falta de amor a Deus, os levou a sofrer sérias intervenções de Deus sobre sua caminhada à terra prometida. Em Números 32.13, Deus os fez andar em círculos devido a sua dureza de coração, até que aquela geração fosse consumida, ou seja, morta. É preciso refletir sobre nossa situação hoje, para que não venhamos a cair nos mesmos erros de Israel e com perdermos os benefícios da presença de Deus sobre nós. Corremos o risco de ficarmos andando em círculos em nossa vida, sem achar alegria ou realização em nada e de morrermos, não fisicamente, mas espiritualmente.
Amado, siga em frente priorizando Jesus em sua vida, amando a Deus de todo o coração, de toda sua alma e do todo o seu entendimento. Se fizer isto estará permanentemente debaixo da presença do Aba Pai.
Pr. Júnior